Ana Carolina Santana e Felipe Menezes
15/12/2025
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Inesquecível. Assim pode-se sintetizar a XXIV Olimpíadas Especiais das Apaes, em Brasília (DF). Entre os dias 8 e 13 de dezembro, a capital federal reuniu aproximadamente 2 mil participantes, entre atletas, técnicos e acompanhantes, de 24 estados e do Distrito Federal. Realizado pela Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), em parceria com a Apae do Distrito Federal, o evento contou com competições esportivas, atividades de integração e momentos de convivência entre as famílias, os profissionais e a comunidade.
Iniciadas em 1973, as Olimpíadas Especiais das Apaes visam promover o desenvolvimento global e a inclusão social das pessoas com deficiência por meio do esporte. O evento é estatutário e executado pela Fenapaes, com apoio da Federação das Apaes do Estado (Feapaes) e da Apae local anfitriãs, a cada três anos, e não se limita somente às competições, mas também possibilita momentos de união e socialização entre as famílias e os profissionais, criando um ambiente de acolhimento e superação.
A primeira etapa ocorreu na cidade do Rio de Janeiro e marcou o início de um projeto que, ao longo das décadas, se tornou em um dos eventos mais importantes do movimento apaeano e um dos maiores do Brasil na área do esporte voltado às pessoas com deficiência. Desde então, o evento cresceu tanto em abrangência quanto em número de participantes a cada período.
Brasília sediou a primeira Olimpíadas em 1984, e, passados 41 anos, recebeu o certame nacional, transformando a 24ª edição na maior realizada até o momento, trazendo, ainda, novos desafios e atividades que oportunizaram a inclusão de mais pessoas.
A solenidade de abertura foi no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade e marcou o início das Olimpíadas. Conduzida por Tâmara Soares e Victor Augusto, coordenadora de Autogestão e Autodefensoria e autodefensor suplente da Fenapaes, respectivamente, a cerimônia teve a participação, na mesa diretiva, do presidente Jarbas Feldner de Barros; do vice-presidente Léo Loureiro; dos autodefensores nacionais Gustavo Silva e Maria da Conceição; da presidente do Comitê Gestor da Apae do Distrito Federal, Erenice Carvalho; e dos coordenadores nacionais Hosana Velani (Família) e Roberto Soares (Educação Física, Desporto e Lazer). Compuseram ainda os senadores Flávio Arns (PR) e Damares Alves (DF); a deputada federal Laura Carneiro (RJ); o secretário nacional de Paradesporto, Fabio Araujo; e o secretário-executivo de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Mateus Bahia.
União e protagonismo
Em seu discurso, o prof. Jarbas Feldner enfatizou o papel do esporte no processo de habilitação, reabilitação e socialização das pessoas com deficiência. Para o presidente, o evento é resultado da atuação contínua do movimento apaeano, construído a partir de sonhos e da participação coletiva.
“Esse é um trabalho que nós temos o maior interesse em mantê-lo cada vez mais forte, porque o esporte tem um poder muito grande de fazer com que as pessoas com deficiência tenham oportunidade de mostrar suas competências, sua força e suas habilidades”, declarou.
Jarbas também ressaltou a união do movimento e o protagonismo das pessoas com deficiência. “É um momento muito especial. Nós estamos conseguindo não somente mostrar à sociedade brasileira os nossos valores, os nossos talentos, mas, sobretudo, a força e a união do movimento neste país. Todos vocês são vencedores”, afirmou.
Léo Loureiro ressaltou o atletismo como uma das modalidades que evidenciaram o espírito do evento logo nos primeiros dias. De acordo com o vice-presidente, a modalidade expressa, na prática, o trabalho das Apaes junto às pessoas com deficiência.
“O atletismo foi um exemplo de superação, de ensinamento do que é o movimento apaeano, do que a Apae faz. A Apae transforma vidas, traz dignidade, mostra para o Brasil, ao longo dos mais de 70 anos, como faz o trabalho, como pensa, como olhar para as pessoas com deficiência”, realçou.
Para Gustavo Silva, a participação nas Olimpíadas é marcada por inclusão, superação e alegria. “É um momento único e muito especial. A gente viu vários atletas competindo e superando os seus próprios limites”, acrescentou.
Hosana Velani reforçou a importância da prática esportiva e pontuou o que o esporte simboliza na vida dos atletas. “Vencer ou perder é somente um momento. Praticar esporte e ser atleta é um compromisso da vida inteira. Então, pratiquem esporte e com muita garra.”
Fabio Araujo salientou a mobilização conjunta em torno do fortalecimento do esporte no país. “Essas pessoas que estão aqui – representantes da Apae Brasil – têm atendido ao chamado do ministro André Fufuca para que a gente pudesse, juntos, mudar o esporte brasileiro”, frisou.
Modalidades e locais das competições
A XXIV Olimpíadas Especiais das Apaes contou com dez modalidades esportivas, sendo cinco individuais — atletismo, bocha paralímpica, ginástica rítmica, natação e tênis de mesa — e cinco coletivas — basquete, capoeira, futebol society, futsal e handebol. A programação incluiu ainda uma clínica de badminton.
O Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade foi o ponto focal do evento, sediando cerimônias, credenciamento, alimentação, congresso técnico dos coordenadores de Educação Física, baile de confraternização e competições esportivas. Além do Pavilhão, as provas ocorreram também na Universidade de Brasília (UnB), no Centro Integrado de Educação Física (Cief), no Clube do Exército e no Comando Militar do Planalto (CMP).
Juntos por equidade e oportunidades
O encerramento da XXIV Olimpíadas Especiais das Apaes foi marcado pela Caminhada da Família, realizada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Aberta ao público, a atividade teve início na Catedral Metropolitana e seguiu até a Alameda das Bandeiras, em frente ao Congresso Nacional, com a presença de atletas, familiares, profissionais e membros da comunidade.
A caminhada integrou o conjunto das diversas atividades dessas Olimpíadas e enfatizou o caráter participativo do evento, que vai além de competições esportivas. A proposta da iniciativa foi criar um momento de convivência, socialização e visibilidade para a causa das pessoas com deficiência e suas famílias, fortalecendo o vínculo entre o movimento apaeano e a sociedade brasileira.
Durante o momento final, o prof. Jarbas voltou a destacar o protagonismo dos atletas apaeanos. “A vocês todos que estiveram aqui: todos vocês são campeões, todos são atletas que, a cada dia, demostraram mais para a sociedade que a pessoa com deficiência tem direitos, habilidades e capacidades de desenvolver e exercer uma convivência social.”
O presidente da Fenapaes acrescentou ainda que o incentivo às atividades esportivas na Rede Apae Brasil é um comprometimento diário. Segundo Jarbas, o esporte é um dos carros-chefes do movimento apaeano por conseguir promover a integração das pessoas com deficiência.
“É um compromisso que temos e vamos cumprir, proporcionando qualidade de vida às pessoas que frequentam as Apaes”, concluiu.